Por que RPG é positivo para crianças e adultos?
O que é RPG?
Os chamados “jogos de RPG” são, na verdade, jogos de interpretação de personagens, já que RPG é a sigla de Roleplaying Game. São atividades de cooperação social, que combinam elementos de interpretação de personagens, narração de história, descrição de cenário e, às vezes, tabuleiro. Geralmente, um dos jogadores, entitulado de Mestre, ou Narrador, descreve situações em um mundo fictício aos outros jogadores, que interpretam seus personagens, contando suas falas e ações em resposta.

Daí o vem termo “roleplaying“: os jogadores ficam “interpretando” (playing) seus “papéis” (roles) no jogo, tal qual atores em uma peça de teatro - exceto pelo fato de que eles ficam sentados ao redor de uma mesa, descrevendo suas ações ao invés de interpretá-las, como um ator faria.
Cada jogo tem suas próprias regras, como os jogos de tabuleiro têm. Muito do que acontece durante a sessão de jogo é ditado pelas regras do jogo, que proporcionam base para a criatividade e a solução de problemas, servindo de coração para o jogo. Se vocês quiserem uma descrição mais técnica sobre isso, sugiro pegar um bom livro de RPG (como Dungeon& Dragons, GURPS, ou Vampiro: réquiem), pois todos possuem, em suas primeiras páginas uma explicação de como funciona o RPG.
Todo mundo deveria jogar uma partida
Se você é pai ou mãe e está pensando se está certo deixar ou não seu filho jogar RPG, fique sabendo que está mais do certo deixar - é uma oportunidade que você deveria incentivar ele a fazer. Se você está preocupado com o que exatamente seu filho fará nessas sessões de jogo, aresposta é que ele estará se divertindo, exercitando sua mente e criatividade e liberando um pouco sua energia.
Assim como esportes, pintura, teatro, música, canto, poesia e centenas de outros hobbies, acredito que RPG é um hobby que todo mundo deveria tentar. Não há nada de perigoso nisso, muito pelo contrário! Jogo RPG há anos e sempre me diverti. Já apresentei o jogo para muita gente: meus pais, minha namorada, irmão, primos, amigos… Por isso vou falar sobre o quão bom é o jogo. Vou acabar generalizando, para não entrar em dissertações extensas sobre determinados assuntos, mas vou tentar não estereotipar.
Satanismo não tem nada a ver com isso
A maioria dos infundados prejuizos que o RPG sofreu no início dos anos 90 inclui a idéia de que este jogo, de alguma forma, está envolvida com adoração ao Satã. Acredito que isso está enterrado e morto hoje em dia. Se ainda há alguém que pense que isso é verdade, por favor acorde!!! Se tem alguém ainda hoje pregando isso, é por que usa cabresto e não consegue olhar em volta.
O RPG deve ser entendido como um hobby qualquer - atuação teatral, escrever ficcção, jogar tabuleiro, jogar cartas, ler quadrinhos ou jogar video-game. Não é mais perigoso ou preocupante que esses hobbies ora citados - apenas menos entediantes.
RPG aguça a criatividade
É muito difícil ver um jogador não-criativo de maneira geral. Isso porque o RPG requer uma ativa imaginação e a habilidade de “pensar rápido”, até por que apenas pessoas espertas encaram esse jogo, o que é um passo para a criatividade…
Há, aí, um benifício que provém do RPG. Jogando com pessoas criativa esse jogo inteligente, torna-nos o raciocínio mais aguçado.
A improvisação ensina a solução de problemas
O que se faz quando se jogo RPG é trabalhar em grupo para resolver problemas, uma habilidade muito útil no dia-a-dia. Durante o jogo presenciamos, com freqüência, situações que não estávamos esperando e, como um ator que não possui script, somos forçados a improvisar e utilizar o que estiver a mão para lidar com essas situações.
Trabalho em grupo

Todo RPG tem por base o trabalho em grupo: o grupo de amigos no mundo fictício ajuda um ao outro a encarar adversidades. Quando mais novo, o RPG me ensinou muito sobre trabalho em grupo. Jogando com pessoas desconhecidas, quando estava tentando formar meu primeiro grupo, aprendi sobre o trabalho em grupo em ambientes diferentes do habitual, entre a família e amigos. Um grupo de desconhecidos tende a cooperar de forma diferente de um grupo de amigos. Essa conclusão foi muito interessante para meu desenvolvimento profissional.
A combinação de criatividade, solução de problemas e trabalho em grupo ensina e encoraja de forma potencial. Todas as três habilidades têm utilidade e importância para o resto da vida e o RPG faz esse aprendizado divertido.
O RPG cria uma rede social
Quando você se torna jogador, você faz novos amigos. Muitos conhecidos meus criaram grandes grupos de amizade em torno do jogo. Conheço muitos que tinham um grande problema de inibição, mas que foram se soltando com as sessões de jogo. Não que o RPG seja mágico, ou que possua algum pacto com o Satã (hehehe já passamos disso, né?), mas o fato é que a simples externalização de um esteriótipo que, muitas vezes, reflete um pouco de nós mesmos na criação do personagem faz o jogador se sentir mais ativo, descrever com naturalidade seu posicionamento perante situações. A interpretação do personagem por hora esconde o “eu” e trabalha com um ser fictício, ajudando a esteriorizar emoções.
Isso pode ser muito valioso para uma criança, mesmo para as que fazem amigo rápido. Mesmo adulto, sendo o RPG como qualuqer outro hobby, tê-lo em comum com outras pessoas ajuda a fazer novos amigos.
Jogadores são espertos!
A vasta maioria dos jogadores que conheço são mais esperto que a média. Tá, calma, não estou dizendo que o jogo os torna espertos, apenas que se compararmos, pessoas mais espertas têm mais prédisposição para o RPG que a média.
Passar o tampo com pessoas espertas nos torna mais astutos, com a mente mais aberta e mais pensativos sobre a vida que o normal. Com isso conseguimos de cara perceber que não há pacto com o Satã nesse jogo!
Jogar RPG ensina várias habilidades
Jogar RPG com seus amigos ensina você a: planejar, liderar, organizar tarefas, projetar, planejar, tomar decisões, analisar situações, oratória, escrita, dentre uma enorme gama de habilidades.
Ser o Mestre ou Narrador do jogo é uma grande demanda mental, um desafio intelectual e muito divertido. Exige pesquisa e criatividade para criar as situações que os jogadores irão encarar.
Enfim, muito que se aprende nesse hobby pode ser usado em muitas situações da vida.

Partidas de RPG são ótimas para se aprender etiqueta.
Quando jogadores se encontram, percebemos uma série de “contratos” que geralmente não são respeitados em outras situações da vida. Escutamos quando outros estão falando, toma-se turnos durante o jogo - cada jogador tem seu turno de jogo e espera a conclusão do turno do jogador anterior, assistimos novos jogadores no aprendizado do jogo e, geralmente, nos preocupamos que todos na mesa estejam se divertindo.
Um bom grupo de RPG também respeita horários, se organiza quanto à locomoção, alimentação, lanche, transporte do material de jogo, divisão de custas, organização do ambiente de jogo, além de respeitar as regras da casa onde se está jogando quanto a barulho, horário, limpeza e organização.
Quando se participa de um esporte organizado, aprende-se muitas dessas coisas também, porém por diferentes perspectivas.
RPG cria amizades marcantes
A maioria de meus amigos são jogadores. Tenho uma amizade muito grande com pessoas que conheci em mesas de RPG. Tenho amigos que jogavam comigo desde o tempo de colégio.
Alguns de minhas melhores amizades não teriam existido se não fosse pelo RPG. O convívio, os encontros, as adversidades, a troca de idéias, a confiança, dentre muitas outras características se desenvolvem em um grupo que joga com freqüência.
Concluindo…
Ambos, crianças e adultos, que têm contato com o RPG têm uma experiência incrivelmente estimulante, cheia de benefícios. Pode paracer piegas, mas o RPG é um dos hobbies mais interessantes e intelectualmente estimulante que se pode vivenciar.
A idéia para esse texto surgiu de uma reclamação da mãe de um menino que joga RPG, que ouvi na Liber Ludo. Ela dizia que o RPG trouxe muito prejuízo à vida pessoal dele, desvirtuando os estudos, fazendo-o matar aula, dentre outras coisas. Ela me contou isso, como se, de alguma forma, nós “donos de lojas de RPG” tivéssemos culpa. Acredito que tudo que é “proibido” sem sentido, sem uma explicação lógica, torna-se prejudicial quando se realmente quer fazer tal coisa. Se o menino tem que matar aula e deixar de estudar pra jogar, talvez esteja havendo uma falta de diálogo ou de organização no tempo dedicado a cada atividade. Talvez ele tenha que jogar escondido, pois é “proibido” jogar esse jogo tão estranho.
À medida em que eu ía escrevendo, ía aparecendo mais e mais benefício relacionado ao RPG. Procurei ter em mente sempre a reclamação desta mãe, mas só consigo concluir que sem diálogo, não há respeito e sem respeito, não há transparência. Acredito que ele tenha que “se virar” pra arranjar um tempo pro seu hobby e, por isso, acaba atrapalhando suas obrigações.
Não vejo o RPG como o culpado desse tipo de reclamação. Qualquer menino fanático por futebol ou qualquer menina que adora ler revistas “teens” faria o mesmo se essas atividades fossem “proibidas” pelo simples desconhecimento dos pais.

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